Poderás inda uma vez recordar de mim?
Estender-me tua mão na noite incerta?
Poderás nessa brumosa estação em que habitas, ver meu rosto
outrora calmo, hoje arfante e severo?
Agora que cada lembrança de teus gestos mais simples e hesitantes
cravam no meu peito o gume da dor e da saudade ?
Quisera dar-te (nesse teu dia) um momento de paz na noite infinita da angustia de tentar reviver coisas perdidas.
E te pedir um perdão, ainda que inútil, ante o que leguei.
Lembrar no teu regaço, as vezes que me chamaste para casa, nossa casa,
na ruazinha simples perdida.
Porque agora só chamas pelos mortos que nada podem fazer;
por ti que partiste e por mim que te perdi ?
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