sábado, 10 de setembro de 2011

Mãe

Poderás inda uma vez recordar de mim?

Estender-me tua mão na noite incerta?

Poderás nessa brumosa estação em que habitas, ver meu rosto

outrora calmo, hoje arfante e severo?

Agora que cada lembrança de teus gestos mais simples e hesitantes

cravam no meu peito o gume da dor e da saudade ?

Quisera dar-te (nesse teu dia) um momento de paz na noite infinita da angustia de tentar reviver coisas perdidas.

E te pedir um perdão, ainda que inútil, ante o que leguei.

Lembrar no teu regaço, as vezes que me chamaste para casa, nossa casa,

na ruazinha simples perdida.

Porque agora só chamas pelos mortos que nada podem fazer;

por  ti que partiste e por mim que te perdi ?

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